João de Almeida

 

DITINHO

Morreu o Ditinho, antigo companheiro do Assis Tênis Clube. Não o parceiro que jogava bocha, não o que nadava junto, não o que praticava tênis ou usufruia dos prazeres da sauna. Morreu o companheiro que possibilitava tudo isso e muito mais, porque estava sempre no clube, a trabalhar duramente, ajudando na ordem geral, limpando a piscina, preparando a boa feição dos jardins, contribuindo para a organização deste ou daquele setor.

Ao lado dos freqüentadores habituais, ele também vivia queimado de sol. Mas não era um queimar tão dosado, próprio de quem quer chegar ao bronzeado que bem impressiona. Era um queimar intensivo, que chegava ao tom encardido, pela exposição constante de quem, sob um cáustico sol ou as intempéries várias, tinha de enfrentar cotidianamente a dureza de seu trabalho.

E o Ditinho cumpria o seu dever com assiduidade, disposição e vigor, com a satisfação de estar propiciando ao semelhante uma boa forma de alegria, que no fundo ele próprio talvez nunca tivesse tido, porque a sua condição social pouco lhe permitia. Ele vai embora, depois de vinte e quatro anos de bons serviços prestados ao Assis Tênis Clube, inesperadamente, ainda jovem e tão gentil, e deixa para trás um forte reconhecimento - talvez já tardio mas muito sincero de corações bem humanos - de como são significativas as contribuições eficazes, humildes e anônimas dessas camadas que representam as bases verdadeiras de uma sociedade.

A nossa homenagem, Ditinho, pelo seu valor pessoal e pelo que você representava. A nossa oração profunda pela tranqüilidade de sua alma. Que Deus o tenha no lugar que você realmente merece, em razão de sua vivência humana de destaque, em sua admirável humildade.

 

Jornal do A.T.C. - 8/89